Mercado de seguros realiza iniciativas em prol da sustentabilidade

Começou ontem (13) a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a chamada ‘Rio+20’.  O evento reunirá chefes de Estado e de governo e entidades da sociedade civil (ONGs, universidades, institutos) para revisitar os principais temas, protocolos, convenções e recomendações que resultaram da Eco-92. Entre os temas que serão debatidos estão: energia; alimentação e agricultura; emprego e inclusão; cidades sustentáveis; água; oceanos e desastres naturais.

Neste mês, serão lançados, oficialmente, os PSI (Princípios de Sustentabilidade em Seguros) durante o 48º Seminário Anual da IIS (International Insurance Society). Os quatro princípios são o resultado de um processo consultivo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em parceria com o setor mundial de seguros nos últimos dois anos.

Atento a essa realidade, o mercado de seguros vêem realizando diversas iniciativas em prol da sustentabilidade. O Grupo BB Mapfre, por exemplo, assinou a Carta Compromisso, uma iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas para promover a economia verde e inclusiva.

O documento foi elaborado a partir das discussões previstas para a Conferência e visando a perpetuação das ações. Na carta, as empresas assumem o compromisso de atuar em busca de resultados econômicos sustentáveis, conscientizando a sua rede, definindo metas e participando de discussões sobre o tema. De acordo com o documento, as empresas são parte da solução para a conquista de uma economia verde e inclusiva, área em que “o Brasil desponta como uma possível potência”.

“A assinatura do acordo foi mais um passo do nosso pioneirismo nesse debate. O desenvolvimento sustentável já faz parte da nossa estratégia de negócios, que engloba desde a economia de recursos internos até a conscientização de toda a cadeia de valor”, afirma Fátima Lima, superintendente executiva de sustentabilidade do Grupo BB e Mapfre.

Há seis anos o Grupo produz o Relatório de Sustentabilidade como base nos critério do GRI. Além de ações pontuais, a companhia promove ações como a Academia de Sustentabilidade – parceria com a FGV pela qual são ministradas aulas de gestão sustentável para colaboradores, corretores e fornecedores, que formou mais de 240 pessoas em 2011 – e o Villa Ambiental, projeto social para a conscientização ambiental de alunos da rede pública do estado de São Paulo.

Comunicação

A Liberty Seguros apresentou neste mês o seu 2º Relatório Social. O documento, com as ações da seguradora em 2011, traz uma exposição das iniciativas da organização que garantem segurança e tranquilidade aos seus clientes, funcionários, fornecedores, parceiros e a sociedade em geral. Segundo Karina Louzada, gerente de assuntos corporativos da Liberty Seguros, embora o relatório não esteja nomeado como de Sustentabilidade, o documento é pautado pelos Indicadores de Sustentabilidade GRI (Global Reporting Initiative) no nível C, que estabelece a resposta a um mínimo de 10 indicadores de desempenho, incluindo pelo menos um de cada uma das áreas social, econômica e ambiental. “O conjunto de diretrizes e indicadores adotado pelo GRI transmite credibilidade às informações sobre a atuação da Liberty”, afirma.

O 2º Relatório Social da Liberty Seguros possui 24 páginas e está dividido em 10 temáticas, entre elas: produtos, negócio, pessoas e responsabilidade social. O material destaca o principal marco da companhia em 2011, que foi se tornar “Seguradora Oficial da Copa do Mundo da FIFA de 2014”. O principal eixo de comunicação do apoio ao evento é a responsabilidade compartilhada e isso reflete também nas ações da seguradora.

Em 2011, a Liberty estruturou uma área de gestão de clientes a qual tem a missão de reunir um ambiente corporativo integralmente comprometido com o atendimento dos requisitos dos segurados, proporcionando melhoria contínua dos processos e a busca permanente da excelência operacional e satisfação do cliente. Outra iniciativa que merece destaque é a consolidação do Clube Liberty de Vantagens, um programa de benefícios e descontos que conta com mais de 30 parceiros que oferecem descontos de até 50% em seus bens e serviços.

A Liberty implanta anualmente práticas para diminuir os efeitos de suas operações. A companhia reduziu, por exemplo, em 20% o consumo de energia elétrica, registrou queda de 18% no consumo de água e emitiu 1.500.046 kits reduzidos diminuindo assim a utilização de papel.

O relatório aponta que a Liberty investiu mais de R$ 2 milhões no treinamento dos funcionários. Cada colaborador recebeu em média 40,3 horas de cursos. A empresa lançou também o Programa Sinta-se Bem com o objetivo de promover saúde e qualidade de vida.

A participação e o engajamento dos colaboradores na missão e valores são balizados por uma clara política de comunicação, a qual é pautada nos princípios e cultura da organização. Para aprimorar essa comunicação a companhia reformulou os seus canais internos, entre eles a Intranet para potencializar o diálogo com os integrantes da equipe. Os colaboradores contam também com outros canais como: Revista Liberty & Você, Jornal Mural, Informativos, E-mail Marketing, Comunicado Bola na Rede, entre outras ferramentas. Ainda com foco em recursos humanos, existe a iniciativa Clube Excelência que buscar reconhecer anualmente os colaboradores que atingem a sua meta no ano decorrente.

Seguindo a diretriz do Grupo Liberty Mutual, o 2º Relatório Social pontua a temática Segurança no Trânsito, um dos pilares de responsabilidade social da seguradora. Em 2011, a companhia aderiu a diversos movimentos. Por exemplo, o Projeto Cultural Mundo do Meu Amigãozão com o objetivo de abordar segurança no trânsito envolvendo de forma lúdica e conscientizando crianças de 7 a 12 anos. A iniciativa alcançou mais de 24 mil pessoas e percorreu oito cidades e seis Estados do país. Outros trabalhos que fizeram parte do tema e que a empresa aderiu foram: Movimento chega de Acidentes!, Parada pela Vida, Semana de Segurança no Trânsito, Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito, entre outros.

Como objetivo de despertar a solidariedade e o voluntariado dos funcionários e terceiros da Liberty, foram realizadas outras campanhas como a do agasalho, doação de sangue e de Natal. Somando-se a isso a seguradora fez a doação de cerca de 990 equipamentos para 12 ONGs (Organizações Não-Governamentais) entre eles CPU, monitor, computador, impressora, fax e telefones.

A Amil lançou a revista Gerações. A publicação foi idealizada com o objetivo de divulgar as ações desenvolvidas no primeiro ano de existência da diretoria de sustentabilidade da empresa. A revista apresenta as iniciativas que vêm motivando a mudança de comportamento dos seus 25 mil colaboradores e traz matérias sobre temas atuais relacionados à sustentabilidade.

Em sua primeira edição, a publicação apresenta reportagem de capa sobre como grandes empresas adotam a sustentabilidade em suas estratégias e a consequente mudança no cenário de negócios para garantir o futuro das próximas gerações. A equipe de redação ouviu personalidades na área, como Ricardo Voltolini, diretor da consultoria Ideia Sustentável: Inteligência e Sustentabilidade e autor do livro Conversa com líderes sustentáveis, que agrupa uma coletânea de entrevistas com empresários pioneiros no tema.

A revista Gerações também traz uma entrevista exclusiva com Marina Grossi, presidente executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), cuja participação foi fundamental no desenvolvimento da versão brasileira do Vision 2050. O documento reúne a visão de grandes empresas sobre os pilares que norteiam um futuro mais sustentável, e serviu de base para a definição das diretrizes corporativas da Amilpar na área.

Estão também em pauta alguns projetos desenvolvidos pela diretoria de sustentabilidade para conscientizar os colaboradores da companhia, como as Olimpíadas Amil Gerações, premiada recentemente pela Câmara de Comércio França-Brasil com o Prêmio LIF 2012, cujo nome faz uma homenagem aos ideais da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade, na categoria Público Interno. O programa possibilitou educar, reconhecer e premiar o engajamento de todos em ações relacionadas ao tema, que envolve desde coleta seletiva a redução da utilização de recursos naturais.

“Não há homem saudável em um planeta doente. Guiados por esta visão, estamos cada vez mais comprometidos com a promoção integral da saúde. Queremos que a empresa e parceiros entendam o caminho que estamos tomando. Que tenham orgulho e que sejam protagonistas no resgate das relações humanas e do meio ambiente”, relata Odete de Freitas, diretora de sustentabilidade da Amil.

Disponível nas versões impressa, on-line e para iPad, a revista Gerações tem periodicidade semestral e pode ser acessada por clientes, colaboradores, médicos e corretores, por meio do link http://public.amil.com.br/portal/pdf/amilgeracoes_revista-01.pdf.

Produto

A Mongeral Aegon lançou um produto com conceitos da sustentabilidade. Os planos ‘Previdência Sustentável’ permitem que pessoas acumulem recursos com a garantia de comprometimento com os requisitos da sustentabilidade. Com o slogan “Invista na mudança que você quer para o mundo”, os produtos foram elaborados para atender clientes atentos às questões sociais e de meio ambiente.

“Enxergamos um grande potencial de mercado, uma vez que ainda não havia um plano de previdência que seja 100% norteado pela sustentabilidade”, explica Nuno David, diretor de marketing da Mongeral. “Outro aspecto que vale destacar é que esse produto será comercializado exclusivamente via internet”, prossegue David.

Os planos Previdência Sustentável têm os benefícios comuns aos PGBLs e VGBLs: para o PGBL, dedução do valor das contribuições da sua base de cálculo do Imposto de Renda, com o limite de até 12% da sua renda bruta anual (para declarações completas), e, no VGBL, a tributação incidente somente sobre o rendimento, no momento do resgate. O diferencial é a política de investimento do fundo criado especialmente para gerir os recursos aplicados através dos produtos. “Empresas de armamentos, por exemplo, não farão parte das possibilidades de investimento”, acrescenta David. A seleção sobre em que papeis investir os recursos levará em conta, entre outros critérios, os PRI (Princípios para o Investimento Responsável, na sigla em inglês), que visam ajudar a integrar temas ambientais, sociais e de governança (ESG) nas tomadas de decisão de investimento.

A alocação dos recursos investidos nos planos Previdência Sustentável será 55% em renda fixa, onde o retorno do capital investido é dimensionado no momento da aplicação, e 45% em renda variável, onde o investimento possui possibilidade de variação de acordo com as expectativas do mercado, em uma estratégia composta por:

- A exclusão de setores ou empresas que não contribuam em amplo aspecto com o desenvolvimento sustentável;

- Avaliação de cada empresa na qual os recursos serão investidos, tendo como base os princípios e normas globalmente aceitas para escolher as melhores em suas categorias/setores, como o PRI e o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da Bovespa);

- Setores e empresas que estejam mais bem posicionados para explorar as diversas vantagens comparativas que o país apresenta com relação aos temas ligados à Sustentabilidade.

Os planos foram desenvolvidos em parceria com a Keyassociados, responsável pela consultoria em Sustentabilidade. A comercialização será feita pelo site www.previdenciasustentavel.com.br.

Evento

O Porto Seguro Agronegócios começa a realizar workshops para seus clientes de seguros rurais e corretores especializados, em iniciativa conjunta das áreas de agronegócios e responsabilidade social e ambiental. Encontros já foram realizados na matriz da companhia, em São Paulo (SP), e em Mogi das Cruzes, no interior paulista.

Os workshops visam ressaltar a importância de que a propriedade rural esteja de acordo com as legislações ambientais vigentes e sensibilizar os participantes para os benefícios socioambientais de preservação, com rentabilidade econômica. Também são abordados os cuidados para que os agricultores que trabalham na lavoura também se beneficiem de um ambiente de trabalho sadio. “O objetivo é favorecer um agronegócio mais produtivo e com menos impactos para os ecossistemas, além de tratar da qualidade de vida dos trabalhadores rurais e do uso responsável de defensivos agrícolas”, explica o diretor de ramos elementares da Porto Seguro, Edson Frizzarim.

O conteúdo dos workshops abrange cinco cenários diferentes, nos quais são levantados seus principais problemas e respectivas soluções: Agricultura e Preservação Ambiental; Agricultura e Água; Agricultura e Mudanças Climáticas; Acidentes de Trabalho e Produtos Químicos; e Embalagens de Agrotóxicos.

Agricultura e Preservação Ambiental: Nesse primeiro tópico, o workshop traz à tona o problema do desmatamento. Da Mata Atlântica, por exemplo, estima-se que exista hoje apenas 8% do total de florestas existentes na formação original do bioma. É apresentado aos participantes o Programa de Adequação de Propriedades Agrícolas, realizado em parceria com órgãos públicos. Os agricultores também podem se engajar em Comitês de Sustentabilidade.

Preservação das Águas: O workshop mostra que a agricultura é uma atividade econômica que consome muita água no Brasil, sobretudo para a irrigação. A agricultura também polui as águas, por conta dos fertilizantes e defensivos agrícolas utilizados. No encontro, os participantes são esclarecidos a respeito de algumas práticas para evitar a destruição de matas ciliares, assoreamento de rios e diminuição dos lençóis freáticos.

Mudanças Climáticas: O evento também aborda o impacto da atividade agrícola no aquecimento global. A perspectiva é de que, até o final do século, a temperatura média mundial sofra um aumento de até 5,8ºC, conforme projeção do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Os prejuízos para a economia brasileira podem ser altamente significativos, caso nada seja feito para reverter os impactos das mudanças climáticas. Para os agricultores, uma das principais propostas do workshop é a manutenção de áreas preservadas e a busca de parcerias com órgãos governamentais e universidades, em iniciativas para enfrentar as mudanças climáticas.

Acidentes de Trabalho e Produtos Químicos: Segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), dos mais de dois milhões de acidentes de trabalho fatais que ocorrem ao redor do mundo todos os anos, mais de 439 mil são causados por produtos químicos. E, dos 160 milhões de casos mundiais de doenças relacionadas ao trabalho, 35 milhões são provocados pelo mau uso dessas substâncias.

No Brasil, de acordo com dados do Censo Agropecuário, mais da metade (56%) dos trabalhadores que fazem uso constante de produtos como defensivos agrícolas, não utilizam nenhum tipo de proteção ou não contam com o apoio técnico profissional. De acordo com a ONU, o País é o principal destino de produtos proibidos no exterior. Mais de dez tipos de defensivos agrícolas proibidos na Europa e nos Estados Unidos são usados em larga escala no país. No encontro, os agricultores são orientados principalmente a respeito da necessidade de uso de equipamentos adequados para o manejo de produtos químicos; e da importância do apoio técnico e profissional para aplicação segura de pesticidas.[1]

Embalagens de defensivos agrícolas: Também de acordo com dados do Censo Agropecuário, cerca de um quarto das embalagens usadas (25,7%) acaba por ser enterrada ou queimada, sem o descarte apropriado. Outras 9% são simplesmente deixadas no campo. No Brasil, estima-se que todos os anos sejam vendidos um bilhão de litros de defensivos agrícolas. Desse total, 30% permanecem nas embalagens. O descarte incorreto desses resíduos compromete a qualidade do solo, degrada os recursos hídricos e pode contaminar pessoas e animais. Entre as ações sustentáveis propostas para solucionar o problema, estão o reconhecimento de técnicas, como a “tríplice lavagem” das embalagens e o acesso a Programas de Recolhimento das mesmas.

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